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Golpe não é piada

03/04/2019

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Caros leitores e leitoras, na coluna da semana passada eu relutei em tocar neste assunto porque, um tanto quanto incrédulo, preferi aguardar o desenrolar dos acontecimentos para me pronunciar. Afinal, parecia-me uma antecipação do 1º de abril, o popular e divertido Dia da Mentira, qualquer tentativa de se comemorar o golpe militar de 1964.
É inimaginável que após 55 anos ainda tenhamos que condenar publicamente atrocidades cometidas no passado e não consigamos olhar para frente, sobretudo neste momento de crise econômica, com o desemprego crescente no país e tanta gente desassistida.
Procurado pelo jornal O Estado de S. Paulo, lembrei que a comemoração do golpe militar, além de todos os problemas que já deveriam ser desnecessários de lembrar, é inconstitucional, uma vez que o princípio democrático da República Federativa do Brasil, que está na nossa Constituição, determina que os cargos do Executivo são alcançados através do voto, e comemorar uma tomada de poder pela força das armas, que contraria esse princípio democrático, é apologia a algo contrário ao que prega a Constituição.
Assim sendo, não só não é engraçado, como não é admissível que a gente festeje páginas tão infelizes da nossa história. Seja no Dia da Mentira, no Dia das Bruxas ou o que o valha. O que a gente precisa é olhar com seriedade em prol do desenvolvimento e progresso do país. Sem piadas. Sem retrocesso. Precisamos cumprir a lei, não descumpri-las, como muitas vezes fazemos. Isto, sim, é motivo de piada. Contra nós. E convenhamos: não tem a menor graça.