06/03/2019

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Ensinamentos da folia

Não sou exatamente alguém que pode se considerar um folião. Carnaval nunca foi muito a minha praia, mas como carioca há quase 50 anos, não há como não acompanhar, mesmo de longe, os dias de folia. E reconhecer que há, no festejos de Momo, muitas lições que a sociedade e o Poder Público ainda precisam absorver, a começar pelo relacionamento entre as duas partes.
O valor histórico e cultural do Carnaval precisa ser reconhecido, como também é preciso reconhecer os direitos daqueles que não gostam da folia. É neste momento que uma quesito fundamental, uma alegoria sinequanon precisa desfilar, que é o diálogo entre as partes envolvidas, de forma respeitosa e republicana, como devem ser as relações em qualquer sociedade que se pretenda desenvolvida.
Se o diálogo já é imperativo em qualquer situação, num momento de crise econômica e social, não é razoável que se despreze uma festa que injeta bilhões de reais na economia da cidade, que retorna através de serviços, investimentos e infraestrutura não só para os que amam a folia como também para os que não sabem a diferença entre surdo e tamborim.
 
Há tantas outras lições que a folia traz, que não cabem neste espaço. Tratei nas minhas redes sociais, por exemplo, da mais recente, que foi a necessária criminalização da importunação sexual. Toques e beijos sem consentimento, por exemplo, que até setembro eram contravenções penais, se tornaram crimes, com pena de até 5 anos de prisão, afinal, respeito é bom e todo mundo gosta.

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